Produto interno bruto. Ou PIB para os íntimos. Mesmo que não tenhamos a mínima ideia do que isto significa, a maioria de nós escuta esta expressão ou sigla frequentemente. Basta abrir, acessar ou assistir o jornal e lá está. O PIB cresceu! O PIB caiu! Olha como o PIB da China cresceu! Ih, lá vem a Índia e o seu PIB fenomenal. E por aí vai.
Aliás, só para esclarecer, o produto interno bruto, ou PIB, é a soma final dos valores produzidos por bens e serviços em um país durante o período analisado. Geralmente, o PIB demonstra a saúde financeira de uma nação e o impacto que isso causa no dia a dia dos seus cidadãos.
Certamente, todo mundo quer que o PIB do seu país cresça, pois isso pode significar uma melhoria na geração de empregos, aumento do poder de compra e qualidade de vida. Tanto é que, mesmo não entendendo muito bem o que é o PIB, nós escolhemos nossos presidentes muitas vezes baseados no que eles prometem em relação ao PIB. É uma sigla danada, que está em todo lugar. Contudo, tem horas que o PIB deixa de ser um indicador e se traveste em uma espécie de deus.
Na antiguidade, e na atualidade também, era muito comum as pessoas oferecerem sacrifícios aos deuses para receber algo em troca. Grandes vitórias militares, colheitas fartas, bebês saudáveis e a volta da pessoa amada em três dias eram pedidos comuns feitos às divindades. E cada pedido devia ser feito ao deus específico, pois afinal o deus da colheita não era o deus da guerra e por aí vai. Mais ou menos como as turmas do Supremo Tribunal Federal.
Com o PIB acontece uma coisa parecida. Nações inteiras oferecem suas preces e sacrifícios ao deus do crescimento econômico, beijam a mão invisível do caboclo pai Adam Smith e vendem até a alma ao Xi Jinping para crescer como a China. O problema é que depois se frustram quando o diabo dos números não traz de volta o emprego e a renda amada. Ou tão ruim quanto, prosperam tanto que passam a ser possuídos pelo demônio do consumismo e as forças espirituais da ganância. Mais ou menos como aconteceu com uma querida região produtora de hidrocarbonetos que eu conheço.
De fato, a idolatria do PIB não é saudável. Basta ver o exemplo do Vietnam. Com um crescimento econômico astronômico desde 1985, um PIB médio de 6.19% desde 2000 (8.46% só no último trimestre de 2017), 65% da população abaixo dos 30 anos, um mercado consumidor de mais de 90 milhões de pessoas e já ameaçando várias cidades chinesas em termos de competitividade, o povo vive oprimido debaixo da ditadura do partido único. Tanto que até um pic-nic inocente na praça se torna alvo do escrutínio da polícia local (pelo menos a comida estava excelente).
Assim como os deuses da antiguidade não entregavam nada de mão beijada aos seus adoradores, o Deus do PIB também não é um modelo de liberalidade. Portanto, da próxima vez que você ouvir os números mágicos do PIB, pense duas vezes antes de se prostrar. Lembre-se que mágica sempre custa alguma coisa.
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